Contrato de prestação de serviços: o cliente não cumpriu o combinado, o que posso fazer?
- narimatsuadvogados
- 28 de fev. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 7 de mar. de 2025
Se você é autônoma ou empreendedora e já passou pela situação de prestar um serviço e depois não receber o pagamento ou ver o cliente desistir sem aviso, sabe o quanto isso pode ser frustrante e prejudicial. Mas afinal, o que pode ser feito quando o cliente não cumpre o combinado? E como evitar esse tipo de dor de cabeça no futuro?
Neste artigo, apresentamos algumas informações sobre os direitos envolvidos, possibilidades de solução e a importância de um contrato bem elaborado para prevenir esse tipo de situação.

O que diz a lei sobre o descumprimento de contratos?
Primeiro, é importante compreender que um contrato verbal também possui validade jurídica. No entanto, a ausência de um documento escrito pode dificultar bastante a comprovação do que foi efetivamente combinado entre as partes.
O Código Civil determina que todo contrato obriga as partes a cumprir o que foi ajustado. Veja algumas disposições legais relevantes:
Art. 421 do Código Civil: Os contratos devem respeitar sua função social, ou seja, precisam ser cumpridos de forma responsável, levando em conta os interesses de ambas as partes e o impacto na sociedade.
Art. 475 do Código Civil: Se uma das partes descumpre o contrato, a outra pode exigir o cumprimento forçado ou, alternativamente, solicitar a rescisão contratual com indenização por perdas e danos.
Art. 389 do Código Civil: Quem descumpre o contrato deve indenizar a outra parte pelos prejuízos que causou.
Portanto, a depender do caso, quando o cliente não cumpre o combinado, há previsão legal que possibilita buscar a solução adequada por meio das vias cabíveis.
Se existe um contrato formalizado, o que fazer?
Caso o serviço tenha sido formalizado por escrito em um contrato de prestação de serviços bem elaborado, a gestão dessa situação se torna mais clara. Isso porque o próprio contrato pode prever:
Multas e juros por atraso.
Prazos para regularização da inadimplência.
Procedimentos para notificação e tentativas de solução amigável.
Condições para rescisão contratual.
Passos possíveis em caso de inadimplência:
Verifique as cláusulas contratuais: há previsão de multa, juros e prazos? Existem regras específicas sobre como notificar o cliente?
Tente resolver de forma amigável: é recomendável entrar em contato por e-mail ou mensagem formal, lembrando o cliente sobre o compromisso assumido.
Envie uma notificação extrajudicial: se a inadimplência persistir, é possível formalizar uma cobrança oficial por meio de notificação extrajudicial, que pode ser enviada por e-mail ou via cartório, dependendo da estratégia adotada.
Ações judiciais: se as tentativas anteriores não resolverem o impasse, pode ser necessário ingressar com:
Ação de Cobrança: especialmente útil quando há contrato formal assinado.
Ação Monitória: viável mesmo sem contrato formal, desde que existam documentos que comprovem a prestação do serviço, como conversas, e-mails e notas fiscais.
E se não houve contrato escrito?
Prestar um serviço sem contrato formal não significa que seus direitos desapareceram, mas certamente torna o caminho mais desafiador. Nessas situações, algumas alternativas podem ser avaliadas:
Reunir provas do acordo: prints de conversas, trocas de e-mails, comprovantes de pagamento parcial, registros de envio de materiais e qualquer evidência de que o serviço foi solicitado e efetivamente prestado.
Notificação extrajudicial: mesmo sem contrato, a notificação formal pode ser uma ferramenta útil para registrar a cobrança.
Ações judiciais: em algumas situações, é possível buscar a Justiça por meio de uma ação de cobrança ou monitória, desde que existam provas mínimas da relação contratual e do descumprimento.
O maior risco da ausência de um contrato é o tempo e o custo adicional para comprovar o que foi combinado, muitas vezes dependendo de testemunhas ou de documentos incompletos.
Cláusulas essenciais para um contrato de prestação de serviços
A existência de um contrato bem redigido protege ambas as partes e evita discussões futuras. Algumas cláusulas que costumam ser essenciais incluem:
Descrição detalhada do serviço: o que será feito, quais entregas estão previstas e em qual formato.
Prazos e cronograma: quando o serviço começa, termina e quais marcos intermediários existem.
Valor e forma de pagamento: pagamento à vista, parcelado, sinal antes da execução, etc.
Multas e juros por atraso: quanto será cobrado em caso de atraso ou inadimplência.
Rescisão e penalidades: em que situações o contrato pode ser encerrado e quais são as consequências.
Conclusão
Situações de descumprimento contratual são desgastantes e, infelizmente, bastante comuns. A existência de um contrato claro e adaptado à realidade da prestação de serviços reduz significativamente esses riscos e facilita eventuais cobranças.
Esse conteúdo é meramente informativo e não substitui a análise individualizada de cada caso. Para avaliar a melhor estratégia em situações específicas, é recomendável buscar orientação junto a um advogado de sua confiança.
Conteúdo meramente informativo. Procure um advogado de sua confiança para orientações específicas.
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